Eu já não escrevo como antes. Medo de dizer. Cansaço de sentir que minhas palavras não ressoam em ninguém. Não há quem entenda o que sinto, o que digo. Tão poucos e tão pouco se conectam comigo. Em sua maioria só colocam sobre mim mais um descrédito. Preciso ser tanto... tão cheia de energia, cheia de amor, cheia de esperança para alguém que acabou de chegar, mas me sinto tão invisível. Nunca fui tão sozinha e nem entendo a razão. Vivo reanimada. Na UTI da exaustão e sobrecarga. E não há ninguém aqui. Eu mesma me reanimo e crio um pouco mais de sobrevida a cada hora. Assim vou vagando pela vida.
Eu já nem acho meus papéis. Eles devem estar engolidos em algum lugar. Assim como eu fui engolida por tudo. Meus braços e pernas ainda se debatem, mas minha cabeça já quase não encontra ar. E a culpa se instala só de começar a escrever isso. Difícil de crer ou de aceitar, mas, mesmo amando, a gente se perde. Ainda mais quando não encontra mais nada de si. Não encontra seu corpo, suas noites, seus cabelos, seu raciocínio, seus projetos, seus gostos, seus amigos. Seu sono se transforma em cochilos. Sua comida em restos. Há tanto e, ao mesmo tempo, não há mais nada. A cabeça tenta derramar alguma lágrima e os olhos não deixam por falta de energia, falta de água, falta de si. Eu me perdi, assim como os meus papéis estão perdidos por aí. E entendo se você não amar mais o que restou, porque sei que restou muito pouco. Uma lágrima caiu. Talvez ainda exista alguma alma.
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