Há tanto no meu colo. As compras, as roupas, os brinquedos, as sacolas, os compromissos que esqueci de agendar. E no meio disso tudo o mais importante: você. O pequeno bebê que, um dia, sem nem estar aqui, disse em meu ouvido que tudo iria ficar bem. No meio de tantas tralhas amontoadas sobre mim, é você quem importa. É você quem precisa de espaço no meu colo. Precisa de uma respiração calma para aquietar seus medos. De um abraço apertado para sentir pertencimento. Não há mais como carregar tanta quinquilharia. Muito precisa ir embora. É hora de deixar cair... Deixar desprender o inútil, o prescindível, o desamor, a incompreensão. Deixar as pessoas apegadas ao infecundo partirem. Não há mais espaço e nem colo para elas. O desejo, em paz, é que elas aprendam um dia a se nutrir.
Rascunhos maternos de quem não tem mais a pretensão de escrever o definitivo. Façam desse espaço um lugar seguro para vocês também (rascunhem nos comentários :)